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Copom corta Selic pra 14,25% em junho/2026 — terceiro corte seguido

Decisão unânime na 279ª reunião confirmou expectativa do mercado. Veja o que muda no seu bolso (renda fixa, financiamento, prefixado) e a projeção pra fim do ano.

Na 279ª reunião do Copom (17 e 18 de junho de 2026), o Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual por decisão unânime, levando-a de 14,50% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo do ano (depois de janeiro com manutenção e cortes em março e abril). Esse post atualiza o que muda no seu bolso e o que esperar até o fim de 2026 — sem economês.

A decisão em uma frase

Selic baixou de 14,50% pra 14,25% ao ano, mantendo o ritmo gradual de queda que começou em março. Próxima reunião: 4 e 5 de agosto de 2026.

Por que cortou (em linguagem simples)

O Copom citou três pontos principais:

  1. Atividade econômica acelerando no primeiro trimestre (sinal positivo).
  2. Mercado de trabalho resiliente (emprego forte).
  3. Inflação acima da meta mas em trajetória menos pressionada do que esperado.

O contraponto que segurou o corte em só 0,25 pp (e não 0,5 pp):

  • Guerra no Oriente Médio elevou preços de combustíveis e alimentos.
  • Incerteza sobre o cessar dos conflitos e o impacto dos preços já materializados.

Em outras palavras: a inflação ainda preocupa, mas o cenário permite descer devagar.

O que isso muda no seu bolso

Se você investe em renda fixa

Selic mais baixa = rendimento mais baixo em pós-fixados (Tesouro Selic, CDB liquidez diária, Tesouro Reserva). Em números:

InvestimentoAntes (Selic 14,50%)Agora (Selic 14,25%)
Tesouro Selic bruto a.a.14,50%14,25%
Tesouro Selic líquido 12m (IR 17,5%)~11,96%~11,76%
Poupança a.a.~7,2-7,5% (TR + 0,5%/mês)~7,2-7,5% (não muda — regra Selic > 8,5%)
CDB 110% CDI bruto~15,84%~15,58%

Pra reserva de emergência: continua valendo a pena estar em renda fixa pós-fixada — diferença é pequena no curto prazo.

Se você quer travar taxa (prefixado e IPCA+)

Janela ficou um pouco mais estreita — quem queria travar Tesouro Prefixado a 13,86% (taxa que vigorava em maio) provavelmente vê algo na faixa de 13,30-13,60% agora. Ainda boa taxa se você acredita na continuidade da queda.

Veja Tesouro Prefixado vale a pena com Selic em queda e Tesouro IPCA+ vale a pena para longo prazo.

Se você tem dívida cara

Praticamente nada muda no curto prazo. Cartão rotativo continua na faixa de 10-15% ao mês. Cheque especial no teto de 8% a.m. (Resolução CMN 4.765/2019). Selic em queda não derrete essas taxas — elas são quase independentes da política monetária. Veja cheque especial: como sair em 60 dias.

Se você tem financiamento

  • Financiamento imobiliário novo: taxa pode cair 0,1-0,2 pp ao longo do mês. Quem já tem contrato com taxa fixa não muda.
  • Empréstimo consignado: teto regulado (~1,80% a.m. para INSS), independente da Selic dentro do teto.
  • CDC pessoal: pode reduzir 0,1-0,3 pp ao longo das próximas semanas.

A projeção pra fim de 2026

Boletim Focus (mediana, semana antes do Copom): Selic em 13,00% no fim do ano.

Cronograma das próximas reuniões em 2026:

ReuniãoDataExpectativa de mercado
280ª4-5/08Corte 0,25 pp → 14,00%
281ª15-16/09Corte 0,25-0,50 pp → 13,50-13,75%
282ª3-4/11Corte 0,25-0,50 pp → 13,00-13,50%
283ª8-9/12Corte 0,25 pp ou pausa → 13,00%

Atenção: projeção não é garantia. Choques externos (geopolítica, petróleo, eleição EUA em 03/11/2026) podem mudar a trajetória rapidamente.

Estratégia prática pra próximos 3-6 meses

Quem está com reserva em pós-fixado

Continue. Renda fixa pós-fixada segue ganhando bem da poupança. Cada corte reduz marginalmente, mas o spread com a poupança permanece grande.

Quem está pensando em travar prefixado

Janela ainda aberta, mas com taxa um pouco menor. Avalie se 13,30-13,60% trava + sua confiança na queda futura compensa o risco de marcação a mercado.

Quem está em IPCA+ longo prazo

Mantém. Inflação + 6-7% real continua atraente, principalmente pra horizonte 10+ anos.

Quem quer entrar em renda variável

Selic em queda historicamente favorece bolsa de valores (custo de oportunidade da renda fixa diminui). Mas em ciclo gradual como o atual, o impacto é lento. Não vire investidor agressivo por causa do corte — siga sua alocação por perfil. Veja diversificação de carteira: alocação por idade.

Atualização necessária em posts anteriores

Vários posts deste blog citam Selic 14,50% (vigente até 18/06). A partir desta decisão, o valor correto é 14,25%. Os posts impactados serão atualizados em batch:

  • selic-2026-como-afeta-seu-bolso.md
  • tesouro-direto-vale-a-pena-iniciante.md
  • cdb-ou-tesouro-direto-qual-escolher.md
  • reserva-de-emergencia-quanto-guardar.md
  • tesouro-reserva-vale-a-pena.md
  • tesouro-prefixado-vale-a-pena-selic-em-queda.md
  • tesouro-ipca-mais-vale-a-pena-longo-prazo.md
  • tesouro-selic-iniciante-absoluto-passo-a-passo.md
  • tesouro-reserva-vs-cdb-liquidez-diaria-comparativo.md

Em resumo

Copom cortou Selic de 14,50% pra 14,25% em 18 de junho de 2026 — terceiro corte consecutivo, decisão unânime. Cenário: atividade econômica em aceleração + mercado de trabalho resiliente, contrabalançado por incerteza no Oriente Médio. Renda fixa pós-fixada rende um pouco menos (~0,20 pp), mas ainda vence poupança em ~4-5 pp. Janela de prefixado continua aberta com taxa um pouco menor (~13,30-13,60%). Dívida cara (cartão, cheque especial) não muda. Projeção Focus pra fim de 2026: Selic em 13,00%. Próxima reunião: 4-5 de agosto.

Próxima leitura: Selic em 14,5%: como afeta seu bolso (será atualizado com este novo valor), Tesouro Prefixado vale a pena com Selic em queda e reserva de emergência: quanto guardar.

Para a ata oficial do Copom e histórico de decisões, consulte o Banco Central do Brasil — Copom.

Fontes:

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